Ir para o conteúdo principal

Domingo, 30 de agosto de 2026

Tecnologia no mundo, explicada em português.

Open Finance

Open Finance passa de 208 milhões de consentimentos ativos e o debate migra para governança

Números do painel oficial e as discussões do Febraban Tech 2026 apontam para a mesma pergunta: volume de adesão virou valor de uso?

Rede densa de nós conectados em diagonal, com um pequeno escudo sobreposto a um dos pontos centrais
O arranjo cresceu em volume de conexões; a discussão agora é sobre o que circula por elas. Ilustração sysINFO
Compartilhar LinkedIn WhatsApp E-mail

Quando um sistema financeiro aberto é avaliado, o primeiro número que aparece é sempre o de adesão. É o mais fácil de medir e o mais fácil de comunicar. O Open Finance brasileiro tem esse número, e ele é grande: o painel oficial do arranjo passou da marca de 208 milhões de consentimentos ativos.

A pergunta que o setor passou a fazer em público, no maior evento de tecnologia bancária do país, é outra e mais incômoda: quanto desse volume vira benefício concreto para quem consentiu. Esta matéria reúne os números divulgados oficialmente e separa, como esta editoria faz por padrão, o que já é norma em vigor do que ainda é cronograma previsto.

Apuração · o que é verificável

O que aconteceu

Segundo o painel oficial do Open Finance Brasil, o arranjo registrava 208,79 milhões de consentimentos ativos em 31 de julho de 2026. Os dados de consentimentos únicos, com data de referência de 13 de agosto de 2026, apontavam 129,78 milhões de pessoas físicas e 1,80 milhão de pessoas jurídicas no lado da transmissão de dados.

O painel também mede tráfego. Em 3 de agosto de 2026, o acumulado de chamadas às interfaces de dados abertos chegou a 7,14 bilhões. As chamadas relativas a iniciação de pagamento somavam 134,41 milhões em 13 de agosto de 2026 - um volume expressivo em termos absolutos, mas de outra ordem de grandeza em relação às consultas de dados.

O Febraban Tech 2026 ocorreu de 24 a 26 de agosto de 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, sob o tema "Agentes inteligentes, liderança humana: como os bancos estão redesenhando escala, confiança e valor no setor financeiro". O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, participou da abertura, no primeiro dia do evento. A programação oficial incluiu Open Finance, cibersegurança, meios de pagamento e infraestrutura digital.

A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, divulgada no contexto do evento, projeta investimento de R$ 50,4 bilhões em tecnologia pelos bancos neste ano e registra que 83% das transações bancárias já ocorrem por canais digitais.

Em painel realizado em 26 de agosto de 2026, no último dia do evento, a discussão sobre Open Finance se concentrou em governança e interoperabilidade. O advogado Thiago do Amaral Santos, sócio do Barcellos Tucunduva Advogados e especialista em regulação financeira, sustentou que o problema deixou de ser apenas técnico e passa por previsibilidade regulatória, mecanismos claros de responsabilização entre participantes, rastreabilidade e cibersegurança. Ele defendeu que o sucesso do arranjo seja medido por valor real para o cidadão, e não apenas por volume de consentimentos.

Contexto

É preciso entender o que um consentimento ativo mede e o que não mede. Ele indica uma autorização vigente para que uma instituição acesse dados do cliente mantidos em outra, com escopo e prazo definidos. Uma mesma pessoa pode ter vários consentimentos simultâneos, com instituições diferentes, o que explica a distância entre o total de consentimentos ativos e o número de pessoas únicas que compartilham dados. Consentimento vigente também não significa consentimento usado.

Sobre a agenda regulatória, cabe a distinção entre estágios. Já é norma publicada a Resolução Conjunta nº 15/2025, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional em novembro de 2025 e detalhada pelo Banco Central, que incorporou a portabilidade de crédito ao Open Finance. Também já é fato consumado a disponibilização ao público, a partir de fevereiro de 2026, da portabilidade na modalidade de crédito pessoal.

O que ainda é cronograma previsto, e não fato consumado, é a etapa seguinte: os testes restritos de portabilidade de crédito consignado do setor público federal, programados para agosto de 2026, e o lançamento ao público dessa modalidade, previsto para novembro de 2026. Até a publicação desta matéria, a sysINFO não localizou comunicado oficial do Banco Central confirmando a conclusão dessa fase de testes. Datas de cronograma regulatório mudam, e nenhuma delas deve ser tratada como definitiva.

A finalidade dos testes prévios, conforme descrito pelo Banco Central quando a norma foi divulgada, é validar o funcionamento operacional, a comunicação entre sistemas e a experiência do usuário antes da abertura ao público. O modelo não substitui as regras de portabilidade já existentes: acrescenta uma alternativa digital apoiada no compartilhamento padronizado de dados.

Interpretação editorial da sysINFO

Análise sysINFO

A leitura da sysINFO é que a assimetria entre os dois números de tráfego é o dado mais informativo do painel. Bilhões de chamadas de consulta de dados contra centenas de milhões de chamadas de iniciação de pagamento descrevem um arranjo que hoje é muito mais uma infraestrutura de leitura do que de ação. Ler dados de um cliente melhora análise de crédito e oferta; iniciar um pagamento a partir dele é o que efetivamente desloca relacionamento bancário.

Isso ajuda a explicar por que a discussão do setor migrou para governança justamente agora. Enquanto a métrica dominante era adesão, o incentivo de cada participante era ampliar volume de consentimentos. Quando a régua passa a ser uso efetivo, aparecem perguntas que volume não responde: quem responde por um erro na cadeia entre instituições, como se rastreia uma operação que passou por três participantes, e o que acontece quando um deles falha.

Registramos que esta seção é interpretação editorial da sysINFO, não relato de fato. Verificáveis são os números do painel oficial com suas datas de referência, as datas e o tema do Febraban Tech 2026, os dados da pesquisa da entidade e o teor do painel de 26 de agosto. A avaliação sobre o significado da assimetria entre consulta e iniciação é leitura nossa. Nada nesta matéria constitui aconselhamento financeiro nem recomendação de banco, fintech ou produto.

Recorte brasileiro

Impacto para o Brasil

Para o setor de tecnologia brasileiro, o deslocamento do debate para governança tem efeito direto sobre o que se contrata. Rastreabilidade entre participantes, registro auditável de consentimento, gestão de revogação e resposta coordenada a incidentes deixam de ser requisitos de conformidade genéricos e viram especificação de produto. É um mercado de fornecimento que cresce independentemente de novas funcionalidades do arranjo.

Para instituições menores, a conta é diferente. Investimento agregado de R$ 50,4 bilhões em tecnologia é um número puxado pelos grandes bancos, e a exigência de disponibilidade, desempenho e segurança das interfaces recai igualmente sobre participantes de porte muito distinto. Quanto mais o arranjo cobra qualidade de operação contínua, maior a chance de a conformidade virar barreira em vez de nivelamento.

Para o cidadão, o ponto levantado no painel é o que importa: o número de consentimentos não diz nada sobre quanto ele economizou em juros, quanto tempo poupou ou quanta escolha ganhou. Enquanto a comunicação do arranjo continuar ancorada em recordes de adesão, a avaliação pública ficará sem a única métrica que justifica o compartilhamento de dados financeiros - o benefício de quem consentiu.

Agenda de acompanhamento

O que observar agora

A agenda dos próximos meses concentra decisões que definem se o arranjo avança em uso efetivo ou apenas em volume declarado.

  • A confirmação oficial, pelo Banco Central, da conclusão dos testes de portabilidade de crédito consignado do setor público federal.
  • Se o lançamento ao público dessa modalidade, previsto para novembro de 2026, será mantido, adiado ou reprogramado.
  • A evolução das chamadas de iniciação de pagamento no painel oficial, que mede uso efetivo e não apenas adesão.
  • Se o Banco Central publicará regras adicionais sobre responsabilização entre participantes da cadeia.
  • Se o arranjo passará a divulgar indicadores de benefício ao cliente, e não somente de volume de consentimentos.

Fontes consultadas

Como esta matéria foi produzida. Conteúdo elaborado pela Redação sysINFO com apoio de inteligência artificial, a partir das fontes relacionadas nesta página. As análises representam uma interpretação editorial automatizada dos acontecimentos.

Aviso. Esta matéria tem caráter informativo e não constitui aconselhamento financeiro personalizado nem recomendação de banco, fintech ou produto. Leia a política de utilização de inteligência artificial e a política de correções.

Open Finance Bancos Fintechs Regulamentação Pagamentos
Compartilhar LinkedIn WhatsApp

Matérias relacionadas

Mais em Open Finance →